quinta-feira, 14 de julho de 2011

PEDAGOGIA DA AUTONOMIA (PAULO FREIRE)

É comum encontrarmos nos livros de Paulo Freire a repetição de certos temas. Mesmo dentro de um único livro as diversas retomadas de um assunto são constantes. Em sua Pedagogia da Autonomia, uma tentativa de explicação para essa repetição aparece já nas “Primeiras Palavras” que o autor dirige ao leitor. Segundo Freire, essa repetição tem a ver com a marca oral da sua escrita, mas tem a ver também com a relevância de certos temas e com a relação que as matérias têm umas com as outras.
É visível o envolvimento emocional do autor com o ponto de vista que defende. Ele próprio critica a postura do observador “acinzentado” que alguns teóricos apresentam ao tratar de certos temas. A posição política de Freire é assumidamente do lado dos excluídos. Aceita o condicionamento do ser humano em relação à estrutura social, mas nunca a sua determinação. Dessa forma, é visível a nota de esperança e otimismo nos seus escritos.
Com relação à formação de educadores, o autor destaca, desde o início, a importância de se incluir a ética ao lado da preparação científica. Condena o que chama de “ética de mercado” e a ideologia fatalista do discurso neoliberal, pregando a “ética universal do ser humano” que, segundo ele, é indispensável à convivência humana.
No capítulo 1 “Não há docência sem discência”, o autor ressalta que os saberes considerados no livro são indispensáveis tanto à prática docente de educadores críticos e progressistas quanto à de educadores conservadores, deixando ao leitor a tarefa de observar se os saberes apresentados no livro correspondem ou não à exigência da prática educativa independente da sua postura ideológica.
“Ensinar não é transmitir conhecimentos”, essa é a tese que o autor introduz neste capítulo e retoma nos outros, destacando que, numa relação de ensino-aprendizagem ideal, ambos, professor e aluno ensinam e aprendem. Para defender essa ideia o autor utiliza-se de nove tópicos que aparecem no texto marcado pelos seguintes subtítulos:
1.1   Ensinar exige rigorosidade metódica” O educador democrático tem como dever reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade e sua insubmissão, auxiliando-o a tornar-se criador, investigador, inquieto, rigorosamente curioso, humilde e persistente. Deve ensinar os conteúdos, mas também ensinar a “pensar certo”.
1.2   Ensinar exige pesquisa” A pesquisa é uma atividade inerente ao saber docente uma vez que o conhecimento deve ser construído e reconstruído o tempo todo. Pesquisa e ensino estão intrinsecamente relacionados.
1.3   Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos” É preciso uma relação mais “íntima” entre os saberes curriculares e a experiência social dos alunos.
1.4   Ensinar exige criticidade” A promoção da curiosidade ingênua para a consciência crítica deve ser objetivo da prática educativa.
1.5   Ensinar exige estética e ética” O caráter formador da prática docente exige decência e pureza. O professor não pode estar longe ou fora da ética, o ensino dos conteúdos não pode estar alheio à formação moral do educando.
1.6   Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo” É necessário coerência entre o que se ensina e o que se faz. Palavras nada valem se não forem seguidas pelo exemplo.
1.7   Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação” A disponibilidade ao risco e a aceitação crítica do novo, assim como a negação do preconceito fazem parte do que Freire chama de “pensar certo”.
1.8   Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática” Momento fundamental na formação permanente dos educadores, a reflexão sobre a prática é um movimento dialético entre o fazer e o pensar sobre o fazer.
1.9   “Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural” É importante propiciar, aos educandos, condições de ensaiar a experiência de assumir-se como uma pessoa social e histórica, que pensa, se comunica, tem sonhos, que tem raiva e que ama.
No capítulo 2 “Ensinar não é transferir conhecimento” o autor insiste na tese já apresentado no 1º capítulo explorando mais nove tópicos que, em muitos aspectos, se parecem com os primeiros.
2.1   Ensinar exige consciência do inacabamento” Os seres humanos inventam a sua existência a partir dos materiais que a vida oferece, porque são os únicos seres que têm consciência do seu inacabamento.
2.2   Ensinar exige o reconhecimento de ser condicionado” a consciência da inconclusão humana dota os humanos da capacidade de atuar de forma transformadora. Somos condicionados, mas não determinados como querem nos fazer crer os fatalismos neoliberais.
2.3   Ensinar exige respeito à autonomia do ser do educando” Esse é um imperativo ético que o professor desrespeita toda vez que desrespeita a curiosidade do educando, seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem etc.
2.4   Ensinar exige bom senso” É necessário bom senso para que o professor exerça a sua autoridade sem autoritarismo. Além disso, para um professor que tenha bom senso, é impossível alhear-se das condições culturais e econômicas de seus alunos.
2.5   Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores” A luta dos professores por melhores condições de vida e trabalho é um momento importante da prática docente. O respeito que o educador deve ter pelo educando, à sua pessoa e ao seu direito de ser é parte constitutiva do respeito que deve ter por si mesmo e pela sua profissão.
2.6   Ensinar exige apreensão da realidade” Segundo Freire, a capacidade que temos de ensinar decorre da capacidade que temos de apreender a realidade e, mais do que isso da nossa capacidade de transformá-la.
2.7   Ensinar exige alegria e esperança” A existência humana não se dá no domínio da determinação, por isso, o educador progressista tem de ser, antes de tudo, alegre e criticamente esperançoso.
2.8   Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível” O futuro é problemático, mas não inexorável. “o mundo não é. O mundo está sendo. (p.76) Para mudar o mundo é preciso transformar posturas rebeldes em posturas revolucionárias. A rebeldia é importante enquanto “justa ira”, mas não é suficiente.
2.9   Ensinar exige curiosidade” A curiosidade é uma espécie de abertura de nosso ser ao mundo. Um dos saberes mais importantes da prática educativa deve ser a promoção da curiosidade espontânea em curiosidade epistemológica.
No capítulo 3 “Ensinar é uma especificidade humana”, o autor sublinha a importância da educação como um ato de intervenção num mundo cuja história é vista como possibilidade e não como determinismo.
3.1. Ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade” O professor deve levar a sério a sua formação, entretanto, sua competência científica muito pouco valerá se não estiver associada à generosidade. O clima de respeito, justiça e generosidade entre educadores e educandos é essencial para o ato pedagógico.
3.2. Ensinar exige comprometimento” A presença do professor é sempre política. Não existe espaço pedagógico “neutro”. O espaço em que treinam os alunos para práticas apolíticas é um espaço político reacionário.
3.3. Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo” A educação não é apenas reprodutora da ideologia dominante, assim como também não é uma força de desocultação da realidade que atue livremente. Somos seres condicionados geneticamente, culturalmente, socialmente etc., entretanto, não somos determinados por essas estruturas.
3.4. Ensinar exige liberdade e autoridade” É necessário que o educador consciente conheça os limites sem os quais a liberdade se perverte em licença e a autoridade em autoritarismo. O limite preciso ser assumido eticamente pela liberdade, isso porque a liberdade amadurece no confronto com outras liberdades.
3.5. Ensinar exige tomada consciente de decisões” A pretensa neutralidade é uma maneira cômoda de se esconder a opção política. A educação, embora não seja capaz, sozinha, de transformar a realidade encerra em si uma força que o educador crítico pode utilizar em favor dessa transformação.
3.6. Ensinar exige saber escutar” É preciso que o professor respeite a leitura de mundo do educando escutando-o e não apenas fazendo comunicados. Quem tem o direito de dizer precisa entender que não é o único a ter o que dizer. É preciso que os educadores exercitem a escuta como um meio de falar com os educandos e não falar a eles. O papel do educador progressista não é apenas ensinar conteúdos é, antes, ajudar o aluno a reconhecer-se como arquiteto da sua prática cognoscitiva.
3.7. Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica” A ideologia tem um poder indiscutível de anestesiar a mente, confundir a curiosidade e distorcer a percepção. Oculta a verdade dos fatos nos tornando míopes, nos faz aceitar docilmente os discursos fatalistas neoliberais. O educador progressista precisa manter-se inume a essas artimanhas recusando opiniões dogmáticas.
3.8. Ensinar exige disponibilidade para o diálogo” O professor precisa conhecer o contorno ecológico, social e econômico da comunidade da qual seus alunos fazem parte. Precisa diminuir a distância entre si próprio e a realidade hostil em que vive seus alunos. Para isso, é preciso disponibilidade nas relações sem a pretensão de conquistar ninguém ou ser conquistado.
3.9. Ensinar exige querer bem aos educandos” A afetividade é uma disponibilidade à alegria de viver. O Educador lida com gente e, por conseguinte, lida com sonhos e esperanças. Por isso, a prática educativa não pode ser uma experiência fria, estritamente intelectual.
CONCLUSÃO
O livro PEDAGOGIA DA AUTONOMIA: Saberes necessários à prática educativa foi o último escrito pelo professor Paulo Freire, falecido em 1997. Apesar das repetições, esse é um dos seus livros em que a sua concepção de educação aparece de forma mais clara e madura.
Basicamente o livro gira em torno de três eixos:
1º.    A relação entre professores e alunos que deve ser fundada no diálogo construtivo, uma vez que o respeito aos saberes dos educandos é imprescindível na construção do conhecimento. A autoridade do professor é necessária e deve ser exercida sem, contudo, resvalar para o autoritarismo e a arrogância. Além disso, Freire ressalta que a alegria e o afeto devem estar incluídos nessa relação, pois a educação lida com gente, com sonhos e esperanças de pessoas reais. Portanto, é necessário que o educador goste de gente e que tenha disponibilidade para se aproximar da realidade dos educandos numa perspectiva de quem não é dono da verdade, mas de quem está disposto a conhecer junto.

2º.    A necessidade de uma formação humana e científica eficaz, uma vez ensinar exige pesquisa, rigorosidade metódica, conhecimentos sobre o mundo, mas exige também coerência, criticidade e reflexão sobre a prática. Nesse sentido, o professor é visto como um profissional que precisa lutar também pelo reconhecimento da sua profissão junto à sociedade.

3º.    Do ponto de vista ideológico, Freire insiste na possibilidade de mudança, uma vez que a história é vista como possibilidade e não como uma fatalidade. A consciência do “inacabamento” humano nos torna seres capazes de aprender e de melhorar, transformando o mundo em que vivemos. Assim, ensinar, para ele, é desocultar a realidade perversa de um mundo neoliberal em que a “ética de mercado” predomina sobre o que ele chama de “ética universal do ser humano”.


QUESTÕES DE CONCURSOS CONSTANCE KAMII – A CRIANÇA E O NÚMERO



1)      Para a pesquisadora piagetiana Constance Kamii (1984:19), “número é uma síntese de dois tipos de relação que a criança elabora entre os objetos”. Os dois tipos de relação a que ela se refere são:
[A] ordem e inclusão hierárquica.
[B] ordem e seriação.
[C] classificação e seriação.
[D] classificação e inclusão hierárquica.

2)     Segundo Constance Kamii, os três princípios fundamentais no ensino do número são
A) a criação de todos os tipos de relações, a quantificação de objetos e a interação social.
B) a contagem, a quantificação de objetos e a classificação.
C) a interação social das crianças, a ordenação e a conservação de quantidades.
D) a quantificação de objetos, a interação entre os pares e o registro numérico.

3)     Piaget estabeleceu uma distinção fundamental entre três tipos de conhecimento: conhecimento físico, conhecimento lógico-matemático e conhecimento social ou convencional. Com relação a esses tipos de conhecimentos, assinale a opção correta.
A) O conhecimento físico refere-se ao processo de abstração.
B) A coordenação de relações de igualdade e de adição é irrelevante para o conhecimento lógico-matemático.
C) A fonte do conhecimento físico e do conhecimento social é parcialmente externa ao indivíduo.
D) A razão do conhecimento lógico-matemático restringe-se à realidade externa ao indivíduo.

4)     A partir da idéia de construção do número na perspectiva de Piaget, assinale a opção correta.
A) A teoria do número parte do pressuposto de que o conhecimento social dificulta a construção do conceito numérico.
B) As convenções construídas socialmente não influenciam o conhecimento numérico.
C) O professor deve ensinar diretamente à criança a estrutura lógico-matemática de número.
D) No processo de construção do número, o professor deve contribuir como agente de estímulo do desenvolvimento da estrutura mental da criança.

GABARITO

1
2
3
4
A
A
C
D

FONTE: http://redeeducadores.blogspot.com/

QUESTÕES DE CONCURSO SOBRE O LIVRO :A PEDAGOGIA DA AUTONOMIA

QUESTÕES SOBRE A PEDAGOGIA DA AUTONOMIA

1.       (FUNDEP – PEDAGOGO Contagem/2006) São princípios da educação libertadora (Paulo Freire) EXCETO:
a)      Acreditar na igualdade fundamental entre os seres humanos, independentemente de quaisquer diferenças.
b)      Buscar a transformação social, constituindo-se como meio de contribuir para a justiça social e para a participação.
c)       Conceber a participação como um processo que favoreça cada vez mais a centralização das decisões tendo em vista a unidade institucional.
d)      Organizar-se como um processo em que as pessoas sejam sujeitos de sua própria formação.

2.       (FUMARC - PROFESSOR GOV.VALADARES/2009) “Não há docência sem discência”. Em seu texto, Freire (2000) discute a importância de uma reflexão envolvendo a formação docente e a prática educativo-crítica em favor da autonomia dos educandos.
Avalie as afirmativas abaixo:

        I.            A temática abordada incorpora a análise de saberes fundamentais, apresentando elementos constitutivos para a compreensão da prática docente enquanto dimensão social da formação humana.
      II.            A tarefa do educador não se resume apenas em ensinar os conteúdos, mas ensinar a pensar certo, exigindo rigorosidade metódica. Ensinar, aprender e pesquisar envolvem dois momentos do ciclo gnosiológico.
    III.            O ato de ensinar exige a corporeificação das palavras através do exemplo. Uma vez que, não há pensar certo fora de uma prática testemunhal que o re-diz em lugar de desdizê-lo.
    IV.            Na formação permanente dos professores, ensinar exige reflexão crítica a respeito da prática, é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática.
Verifica-se que estão CORRETAS as afirmativas:
a)      Apenas I, II e III
b)      Apenas I, III e IV
c)       Apenas I, II e IV
d)      I, II, III, IV

3.       (FUMARC - PROFESSOR GOV.VALADARES/2009) Leia atentamente o trecho extraído do livro “Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa”:
O ato de cozinhar, por exemplo, supõe alguns saberes concernentes ao uso do fogão, como acendê-lo, como equilibrar para mais, para menos, a chama, como lidar com certos riscos mesmo remotos de incêndio, como harmonizar os diferentes temperos numa síntese gostosa e atraente. A prática de cozinhar vai preparando o novato, ratificando alguns daqueles saberes, retificando outros, e vai possibilitando que ele vire cozinheiro. A prática de velejar coloca a necessidade de saberes fundantes, como o do domínio do barco, das partes que o compõem e da função de cada uma delas, como o conhecimento dos ventos, de sua força, de sua direção, os ventos e as velas, a posição das velas, o papel do motor e da combinação entre motor e velas. Na prática de velejar se confirmam, se modificam ou se ampliam esses saberes.
FREIRE, 2000, P. 23 e 24
O texto acima permite analisar que:
a)      Ensinar é um processo que pode tornar o aprendiz mais e mais criador. Quanto mais criticamente se exerça a capacidade de aprender, mais se constrói e se desenvolve o que pode ser chamado de “curiosidade epistemológica.
b)      Existe uma relação entre o ato de ensinar e a prática de cozinhar, mostrando que o professor precisa diversificar sua prática, promovendo atividades fora do ambiente escolar.
c)       Na prática pedagógica, é importante estabelecer atividades que relacionem com o cotidiano dos alunos, utilizando receitas familiares e atraentes.
d)      Com o objetivo de criar “espaços inovadores”, cabe aos professores utilizarem com frequência todo o espaço escolar.

4.       Segundo Paulo Freire ensinar exige segurança, competência profissional e generosidade. Assim o clima de respeito que nasce de relações justas, sérias, humildes, generosas em que a autoridade docente e as liberdades dos alunos se assumem eticamente deve contribuir para:

A) reforçar o autoritarismo na escola pública.
B) reforçar o medo que os pais tem dos professores e os conduz a afastar-se da escola.
C) os alunos reagirem negativamente ao exercício do comando.
D) fortalecer o caráter formador do espaço pedagógico.
E) estabelecer na escola o mandonismo que tolhe a criatividade do educando.

5.       A escola X vem trabalhando na construção coletiva do PPP escolar que tem como base a Pedagogia da Autonomia. Um dos pontos elencados e operacionalizados pelo grupo foi a formação continuada dos docentes, partindo do entendimento de ser essa a forma de favorecer:

A) uma prática pedagógica neutra que reflete positivamente no meio social.
B) o desenvolvimento de experiências que só servem para cada profissional do ensino.
C) o desenvolvimento de atividades pragmáticas que centram o ensino em atividades descontextualizadas.
D) visões distorcidas do mundo do trabalho.
E) novas formas de ordenação da experiência humana, com múltiplos reflexos positivos na cognição dos estudantes.

6.       Os pedagogos e demais profissionais e pessoas que circulam na escola pública devem considerar, segundo Paulo Freire, a importância das relações entre educador e educando, entre autoridade e liberdade, entre pais, mães, filhos e filhas o que contribui para a:

A) reinvenção do ser humano no aprendizado de sua autonomia.
B) elaboração do calendário escolar que marca as lições de vida e deve inibir as liberdades dos alunos na avaliação da escola.
C) elaboração de um regimento escolar apenas por quem entende de legislação de ensino.
D) elaboração das diretrizes escolares por pessoas que detém o saber pedagógico e encontram-se fora de sala de aula.
E) produção de documentos e registros escolares exclusivamente pelos pedagogos.

7.       De acordo com a Pedagogia defendida por Paulo Freire, a autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada. É nesse sentido que os pedagogos devem estimular reflexões centradas em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, o que pressupõe:
A) experiências respeitosas da liberdade.
B) o receio às críticas mesmo construtivas.
C) a espera para saber onde as pessoas podem ir e em seguida mostrar o caminho certo.
D) a licenciosidade que hipertrofia a decisão coletiva.
E) o espontaneísmo.

8.       A pedagoga Cláudia respalda a sua prática na Pedagogia da Autonomia coordena o planejamento escolar lembrando a necessidade de elevar os índices de aprendizagem do/as alunos/as e a importância das ferramentas básicas para que eles/elas circulem na sociedade letrada. Reconhece a importância dos saberes e dos conhecimentos de experiência que chegam à escola. Nesse sentido o saber ingênuo deve ser:

A) preservado.
B) considerado como produto final do ensino e aprendizagem escolar.
C) superado pelo saber produzido através do exercício da curiosidade epistemológica.
D) considerado como ponto de partida e de chegada na aprendizagem assistemática escolar.
E) motivo de exclusão no processo de ensinar e aprender.

9.       O pedagogo Joaquim dá testemunho de respeito ao seu aluno pelo exercício cotidiano de responsabilidade, pontualidade, assiduidade e cumprimento dos seus deveres como educador. Segundo Paulo Freire as características dessa prática pedagógica docente especificamente humana é:

A) incoerente pela realidade educacional e antiética.
B) profundamente formadora, por isso, ética.
C) esteticamente assistemática.
D) espontânea e assistencialista.
E) assistemática e escapa ao juízo que dele fazem os alunos.

10.   Segundo Paulo Freire os homens e mulheres são os únicos seres que socialmente são capazes de aprender.
Assim toda prática educativa demanda processos interativos que favorecem:

A) a constatação que para mudar, é necessário práticas assistemáticas.
B) o espírito negativo e o fechamento ao risco.
C) a construção, reconstrução, a constatação que para mudar é necessário abertura ao risco.
D) o nível de adestramento dos outros animais ou do cultivo das plantas.
E) a construção dos saberes do senso comum e a constatação que para mudar é necessário apenas do mérito individual.





Leia o texto abaixo para responder às questões 11, 12 e 13

A questão da formação docente, ao lado da reflexão sobre a prática educativo-progressista em favor da autonomia do ser dos educadores, é a temática central em torno da qual gira este texto. É também temática a que se incorpora a análise de saberes fundamentais àquela prática e aos quais espero que o leitor crítico acrescente alguns que me tenham escapado ou cuja importância não tenha percebido.
Paulo Freire. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996, p. 13 (com adaptações).

11.   De acordo com o pensamento predominante no texto, o ato de ensinar exige

I rigorosidade metódica, pesquisa e criticidade.
II respeito aos saberes dos educandos, estética e ética.
III corporeificação das palavras pelo exemplo.
IV risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação.

A quantidade de itens certos é igual a
A 1.
B 2.
C 3.
D 4.

12.   Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou sua própria construção, o que exige que o professor pense certo. Com relação aos pressupostos filosóficos subjacentes a essa afirmativa e ao texto, assinale a opção correta.

A) Pensar certo é uma postura exigente, difícil e penosa que o professor tem de assumir diante dos outros e com os outros, em face do mundo e dos fatos.
B) Pensar certo é ter a certeza de que todas as ações humanas estão predeterminadas pelo destino, que a interferência do indivíduo pouco mudará a realidade.
C) Pensar certo é agir com espontaneidade, a ponto de todas as ações serem pautadas pelo espontaneísmo.
D) Pensar certo é fácil, pouco exigente e complementa a atitude autoritária do professor, que cada vez menos necessita da rigorosidade metódica.

13.   A partir do saber fundamental “mudar é difícil, mas é possível” é que se deve programar a ação político-pedagógica. Com base nesse pressuposto e considerando, ainda, o texto de Paulo Freire, assinale a opção correta.
A) O educador deve assumir uma postura neutra diante do real, pois a função da educação é estudar e constatar a realidade, para compreendê-la e admirá-la como obra da construção humana.
B) O educador deve tomar consciência de que não é apenas objeto da história, mas também sujeito. No mundo da história, da cultura e da política, deve constatar a realidade não para se acomodar, mas para mudar.
C) Para que se possa transformar o mundo por meio da educação é preciso pregar a rebelião e instigar a revolta nas camadas populares, pelo fato de estas serem profundamente injustiçadas.
D) O educador deve respeitar o saber dos grupos com que trabalha. Porém, não pode permitir que estes predominem, por ter consciência de que aquilo que pensa, em face de sua formação, é melhor para o grupo.
GABARITO

1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
C
D
A
D
E
A
A
C
B
C
D
A
B


FONTE:  http://redeeducadores.blogspot.com/

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