sexta-feira, 18 de março de 2011

40 PROBLEMAS DE MAIS OU MENOS








Recados de Fofas

fonte: http://alemdogiz.blogspot.com

Cada letra uma história

I


Ivo e o coelhinho

Era domingo. O Ivo saiu de casa e foi para a igreja. No caminho, encontrou um coelhinho que saltou para o seu colo, fazendo i ... i.... i...
A certa altura, o coelhinho pediu-lhe:
- Vem brincar comigo.
- Eu brinco contigo, mas, primeiro, vou à igreja. Como os coelhinhos não podem entrar, esperas aqui por mim, está bem?
Passado algum tempo, os dois amigos foram brincar para a floresta. Saltaram, correram, riram ... Por fim, já cansados, sentaram-se no chão e o Ivo disse ao coelhinho:
- Vou ensinar-te a ler. Vamos fazer uma letrinha?
- Qual? Qual? - perguntou o coelhinho.
- Vou ensinar-te o “I” de igreja - respondeu o Ivo.
- I ...i...i... - fez o coelhinho.
- Pega num pau. faz um risco inclinado para cima. Agora vem para baixo, agarradinho a esse risco. Perto do chão, faz uma curvinha para a direita. Põe-lhe uma pintinha em cima para ficar mais bonito.
- I...i...i!... Já sei fazer o “I” de igreja - dizia o coelhinho.
- Muito bem! Já aprendeste uma nova letra. Parabéns! - afirmou o Ivo.



U

Um urso amigo

Era uma vez um menino chamado Ulisses. Um dia em que o vento soprava fortemente, assobiando e fazendo u...u...u..., o Ulisses reparou num grande urso que comia uma uva à sombra duma árvore. Ulisses riu muito e aproximou-se do urso.
- Queres ser meu amigo? - perguntou Ulisses ao urso.
- Quero, quero! - respondeu o urso, dando-lhe um abraço tão forte que quase lhe partia as costelas.
- Então vamos brincar às letrinhas. Pega num pau e faz como te digo: um risco para cima, outro risco para baixo, agarradinho ao primeiro. Perto do chão, faz uma curva redondinha, vai de novo para cima e outra para baixo, também agarradinho. Cá em baixo, faz outra curva redondinha. Não te esqueças!
- Que letra é esta? - perguntou o urso.
- É o “u” - respondeu Ulisses.
- U...u...u... é o “u” de urso! É o “u” de urso! - Dizia o urso, ao mesmo tempo que saltava, corria e abraçava o seu novo amigo.

O

Oriana e os ovinhos

A Olga e o Óscar andavam na mata. De repente, uma voz encantadora chamou-os:
- Óscar! Olga! Olá!
Surpreendidos, olharam para a ramagem duma árvore e avistaram a fada Oriana que lhes sorria.
- Olá! Bom dia! Que estás aí a fazer? - perguntaram.
- Estou a ver uns ovos maravilhosos que estão neste ninho. São tão branquinhos! - exclamou a fada.
- Queremos ver! Queremos ver! - afirmaram os dois ao mesmo tempo.
- Então subam!
O Óscar começou logo a trepar. Parecia um gato! chegou ao pé do ninho e abriu muito os olhos.
- Oh! Oh! que lindos ovinhos! - disse ele.
Olga tentou subir... Mas foi a fada Oriana que a veio buscar nas suas asas rendadas.
- Oh! Oh! Parecem mesmo o “o” que aprendemos a fazer na escola! - afirmou Olga.
- Ensina-me a fazer o “o” de ovos - pediu Oriana.
- É fácil! Fazes uma rodinha com um laço no cimo - ensinou Olga.
- Já sei. Uma rodinha com um laço e aí vai o “o” à minha festa... - disse Oriana, entusiasmada.
O Sol começou a esconder-se e os dois meninos despediram-se da fada e dos ovinhos.

A

A Aida, a águia e o lago

A Aida andava a passear na floresta. De repente, avistou uma águia que voava sobre ela. Cheia de medo, subiu a uma árvore.
- Não te escondas, Aida! Eu só quero brincar contigo e mostrar-te as coisas belas da Natureza - disse a águia.
- Não me fazes mal? - perguntou a Aida, aflita.
- Não! Olha para o lago que está à tua frente. As ondinhas não parecem mesmo prata a brilhar? É lindo, não é? - interrogou a águia.
- É maravilhoso! Nunca vi nada igual - afirmou Aida.
- Vês como eu não te faço mal? Sou tua amiga ... - informou a águia.
- Eu quero agradecer-te. Já andas na escola? Sabes escrever o teu nome? - perguntou Aida.
- Não. Nem sei o “a” de águia - disse a águia.
- Então eu vou ensinar-te essa letrinha: faz uma rodinha. Agora põe-lhe uma fita redondinha a arrastar pelo chão.
- Agora já sei! Se continuares a ensinar-me, serei a única águia do mundo a saber ler e escrever. Serei a rainha das águias!
Aida prometeu que lhe ensinaria todas as letrinhas. A águia agradeceu, dando uma bicadinha carinhosa no nariza da menina.

E

A Eva e a Égua

Estava uma linda manhã de Primavera. A Eva, uma menina bonita como a madrugada, recebeu um delicioso convite...
- Eva, vem ouvir os passarinhos a cantar e ver a natureza em flor! - convidou o Sol.
- Está bem, amigo Sol! Aceito o teu convite.
E a menina, acompanhada pelo Sol, saiu da sua aldeia. Avistou uma égua que ficou muito contente e se pôs a relinchar:
- É...é...é! Já tenho uma amiga para brincar às escolinhas. É ...é...é! Como te chamas? - perguntou a égua.
- Chamo-me Eva! - respondeu a menina que se sentou numa pedra.
- Já andas na escola? Ensina-me a fazer a primeira letra do meu nome - pediu a égua.
- A primeira letra do teu nome chama-se “é”. Faz-se assim: dás um salto para cima. Lá no alto, fazes um lacinho, vens para baixo, cruzas o risco do primeiro salto e continuas para baixo, esticando a patinha.
- Já sei! É fácil! Salto, dou uma curvinha e estico a patinha!
A partir daquele momento, todas as éguas daquele prado se divertiram a fazer o “é” de égua.
Eva sorriu, agradeceu ao seu amigo Sol e, feliz, regressou a casa.

P

Pepe e os pintainhos

Pepe seguia na estrada em direcção a casa.
A seu lado, muito contentes, iam dois pintainhos a cantarolar:
- Pi, pi, pi! Vamos para aqui!
- Pi, pi, pi! Vamos para ali!
- Divertido, Pepe olhava para eles. Mas, a certa altura, sem querer, bateu com a pá no pé dum pipi.
- Pi...pi..pi! Pi...pi! Dói-me aqui! - choramingou o pintainho.
Cheio de medo, o outro pipi deu um pulo para o pópó do pai o Pepe.
- Desculpem! Foi sem querer. Não tenham medo! - afirmou o Pepe.
- Mas dói! - queixou-se o pintainho ferido.
- Pronto! Eu levo-vos ao colo, está bem? - disse Pepe.
Está bem. Mas também queremos que nos ensines a fazero “p” de pá, de pipi, de pé, de pópó... - pediram os pintainhos.
Eu vou ensinar-vos. É assim:dai um saltinho da minha mão para o pópó. Agora deixai-vos cair direitinhos para o chão. Lá no cimo, fazei um banquinho com uma perna redondinha.
- Que bom! Já sabemos escrever pá, pé, pi, pó, pu! - Afirmaram os pintainhos que foram a correr para casa.

T

Uma tia tocadora de corneta

A Tutu e a tia estavam a brincar na sala. A Tutu era uma menina de seis anos que tinha um lindo tótó na cabeça. A tia, já velhinha, parecia ainda nova. Estava muito divertida, saltava e tocava corneta.
- Tá, tá, tá, tá, tá, tá! Té, té, té, té, té, té!
A Tuto ouvia e ria-se com o espectáculo que a tia apresentava.
- Tia, és tão tonta! - exclamou a Tuto, com carinho.
- Mas tu gostas assim, não gostas? Então deixa-me ser tonta à vontade - afirmou a tia.
- Mas, tia, eu tenho de trabalhar. Por isso, pára lá com as tuas brincadeiras e ajuda-me a fazer o “t” de tia - pediu a menina.
- Está bem, eu ajudo-te. É fácil! Salta bem para cima! Deixa-te cair pelo mesmo sítio da subida. Já perto do chão, estica a perninha para não caires. No cimo da letra, põe um travessão.
- Que bom! Amanhã, a minha professora vai ficar feliz. Já sei fazer o “t”! - exclamou Tutu.
- Agora já posso tocar à vontade? - perguntou a tia.
- Podes tocar toda a noite. Eu vou fazer “montes” de “t” de tia - disse Tutu.

L

Lálá, Lélé e Lóló no campo

À tarde, a Lálá, a Lélé e a Lóló foram ao campo. Viram linda papoilas e tulipas.
- É tudo tão lindo aqui! - exclamou Lóló.
Entretiveram-se a colher flores e não repararam que a noite tinha caído. Viram a lua brilhante no céu escuro.
- E se nos aparece a bruxa má? - perguntou Lélé, com medo.
- Eu não sou uma bruxa má! Sou uma bruxa boa - falou uma voz estranha.
As três meninas ficaram muito assustadas. Deitaram-se no chão, no meio das papoilas e das tulipas.
A bruxa Lecas aproximou-se e disse-lhes:
- Vamos lá levantar! Eu levo-vos a casa.
As meninas perderam o medo e seguiram a bruxa Lecas.
- Como havemos de te agradecer? - perguntou Lálá.
- Ensinem-me a fazer o “l” de lua - respondeu a bruxa.
As três meninas, ao mesmo tempo, disseram:
- Faz um risco para cima, dá um lacinho comprido e vem para baixo, esticando a perninha.
- Mas isso é o “é” - afirmou a bruxa.
- Não. O “é” é mais baixinho. O “l” é um gigante.
- Já sei! Já sei! - disse a bruxa entusiasmada.
E foi para casa a correr e a saltar: lá, lá, lá! Lé, lé, lé.


C

O cuco cantou

A Cátia e o Caio foram passear até ao campo, num dia em que o céu tinha poucas nuvens. O Caio levou uma capa na mão e Cátia pegou num pacote de leite e num copo..
No caminho, encontraram coelhos, codornizes e casas cobertos de colmo. A certa altura, enquanto bebia um copo de leite, Cátia ouviu um cuco a cantar:
- Cu... cu! Cu...cu! Cu...cu!... 
Então, a Cátia perguntou:
- Ó cuco de além da ribeira, quantos anos me dás de solteira?
O cuco cantou vinte vezes seguidas, Caio riu-se e disse:
- Bem feito, prima! Sóvais casar con trinta anos!
- Cuco, vem cá! - ordenou Cátia.
O cuco aproximou-se e Cátia Disse-lhe:
- Como me deste vinte anos de solteira, vou castigar-te. Tens de aprender a fazer o “c”de cuco.
- Mas eu nasci para cantar e não para escrever - afirmou o pobre cuco.
- Não faz mal, aprendes a escrever! Vamos lá: com o teu bico, faz uma curvinha aberta. Não a feches, para não parecer o “o”!
O cuco aprendeu a lição e, daí em diante cantava sempre o “c” no coração.


M

O mémé come o mapa

Um dia, a Mimi pegou na sua mota e foi passear pelo campo. Como não conhecia o caminho, perdeu-se. Pegou num mapa e começou a orientar-se. um cordeirinho que passava saltou e comeu o mapa da Mimi. Muito zangada, ela foi a correr atrás do mémé. Uma mula amiga do cordeirinho pulou a mota da Mimi e quase lha desfez. com a voz autoritária, Mimi chamou os dois animais e ordenou-lhes:
- Para não fazerdes mais asneiras, ides escrever o “m” de mémé e de mula.
- Mas nós não andamos na escola nem precisamos de saber ler - disseram os dois animaizinhos.
- Não faz mal! O saber não ocupa lugar e é fácil aprender - afirmou Mimi.
- Então ensina-nos - pediu o mémé.
- É fácil! Só tendes que saltar três montes redondinhos no cimo, sem lhes tocar. Vamos lá: um... dois... três - explicou Mimi.
- Mé... mé... mé! Já sei fazer o “m”- dizia o cordeirinho sempre a saltar.
- Mu... mu... mu...! Já sei fazer o “m” - afirmava a mula, sempre a pular.

V

Violeta, a vaca e o vitelo

Era uma noite de Inverno. Uma noite de vendaval. Violeta levantou--se, levou uma vela e foi ao curral. Deitou comida à vaca e ao vitelo, olhou para eles com muito carinho e disse-lhes:
- Amanhã, venho cá outra vez! Quero que comam muito para ficarem bem gordinhos.
- Obrigado, obrigado! Vem, vem! Vem sempre visitar-me - disse o vitelinho.
Violeta voltou a entrar em casa. Lá dentro, a avó tocava violino e o avô tocava viola. Cá fora, o vento assobiava e fazia vu... vu... vu.
- Vou aproveitar esta música maravilhosa da viola e do violino para fazer o “v” do meu querido vitelinho e da minha adorada vaquinha - pensou Violeta.
E começou a fazer o “v”, parecendo uma autêntica bailarina: uma voltinha pequenina em cima, depois para baixo rapidamente e outra voltinha maior em baixo. Finalmente, é sempre a subir, acabando com uma pirueta parecida com um lacinho.
Já era tarde quando vestiu o pijama e se deitou, sonhando com a vaquinha e o vitelinho a comer erva fresquinha.

R

O ratinho perde a namorada

A Rita mora à beira do rio Ave. Muitas vezes vai para junto da água conversar com as suas amigas rãs, com as relas, que são primas das rãs, e com os peixinhos.
Naquele dia, apareceu-lhe uma rela que disse:
- Ritinha, ando muito preocupada com o meu amigo rato. Ele está muito triste.
- Que lhe aconteceu? - perguntou a Rita.
- Não sei. O melhor é chamá-lo para lhe perguntar.
O rato apareceu e a Rita interrogou-o:
- Que tens, lindo ratinho?
- Estou muito triste. Não encontro a minha namorada, a ratinha Róiroi - respondeu o rato.
- Vamos procurá-la em terra. Anda daí! - disse a Rita.
O rato saltou para terra, não viu a sua amada e, desesperado, roeu a roda do camião do avô da Rita.
- A ratinha Róiroi não está aí! E não roas a roda do camião do meu avô!
A certa altura, dum buraco cavado na terra, saiu a ratinha Róiroi. Foi uma alegria! Os dois ratinhos abraçaram-se e beijaram-se ternamente.

N

O Nini e o avô Nuno

O avô Nuno deu de comer à sua neta. Como o leite tinha muito nata, o avô tirou-a. Mas bateu com a colher no copo, este virou-se e o leite verteu-se.
- Nini, vem cá! Vai comprar um litro de leite ao supermercado para a tua maninha - pediu o avô.
- Então, dá-me uma nota - disse Nini.
Nini foi a correr ao supermercado e trouxe o leite que a sua irmã bebeu num abrir e fechar de olhos.
- Avô, ensina-me a fazer o “n” de nota e de neta - suplicou Nini.
- Está bem! Mas tu gostas de saltar? - perguntou o avô.
- Gosto! Mas agora não quero saltar. Quero fazer a letrinha “n”.
- Não te preocupes! Aos saltinhos, vamos aprender a fazer o “n”. Ora vamos lá! Um saltinho redondinho... outro saltinho redondinho e um escorregãozinho final. Um... dois... um... dois - explicou o avô.
- É fácil! Já sei! Um... dois ... um... dois! Agora vou usar lápis e papel! Um... dois.. um... dois... - disse Nini, enquanto riscava o papel com o lápis.
E encheu uma página inteira com o “n” de nota muito bem feitinho.

G

O galo e o gato

Era uma vez um galo gago que não se cansava de cantar:
- Eu sou o ga... ga... galo! Tu és o ga... ga... gato! Eu sou o ga... ga... galo! Tu és o ga... ga... gato!
O gato Malhadinhas, que já estava farto de ouvir aquela cantiga, pegou no galo gago com a boca e atirou-o ao lago. O galo mergulhou na água e quase se afogou. Depois deu às patas e aprendeu a nadar.
Entretanto, Gugu, que tinha observado aquela cena, aproximou-se para salvar o galo.
- Gato mau! Isso não se faz! - afirmou Gugu.
A certa altura, a gola do vestido da Gugu caiu à água e navegou no lago. O galo foi logo buscá-la.
- Obrigada, galinho! - disse Gugu.
O galo ficou todo contente e começou de novo a cantar:
- Eu sou o ga... ga... galo! Tu és o ga... ga... gato mau!
O gato ficou furioso e ia atacar o galo. Mas Gugu segurou-o e disse-lhe:
- Anda cá, não sejas mau! Vais aprender a fazer o “g” de galo e de gato para ficardes amigos.
E lá começou o gato a fazer o “g”: primeiro desenhou a cabeça redondinha. Depois esticou o corpo para baixo e enrolou a cauda bem redondinha para cima, passando por cima do seu corpito.
O galo observava-o, cheio de felicidade.

S

Simone e a fada Sissi

Naquela noite, Simone ficou sozinha em casa. Como tinha medo da bruxa má, resolveu dormir na sala. Levou um sapo para assustar a bruxa, uma seta para lhe atirar, a sola dum sapato para lhe dar com ela e um sumo para beber.
À meia-noite, ouviu um barulho, ficou assustada e foi a correr tocar o sino. As pessoas estavam a dormir e apenas lhe apareceu a fada Sissi que lhe disse:
- Sónia, não tenhas medo! Não há bruxas más. Vai dormir que eu ficarei contigo toda a noite. Amanhã de manhã, depois de acordares, vamos fazer os trabalhos de casa. Que letrinha aprendeste hoje?
- Aprendi o “s” de sapo e de seta, mas não o consigo fazer muito bem - respondeu Simone.
- Não te preocupes, eu ajudo-te. Dorme! - disse a fada.
De manhã, a Sónia acordou, levantou-se e, tal como tinha prometido, a fada Sissi ajudou-a a fazer o “s”.
- Vamos subir a encosta dum monte. Agora saltamos para o chão e enrolamo-nos para dentro.
- Obrigado! - agradeceu Sónia.
Despediram-se com um beijo e a fada foi ajudar outros meninos.


B

O Bóbó, o bébé e a bola

Naquele dia, Bóbó ficou encarregado de tomar conta do seu irmão, um lindo bébé com um ano de idade.
A certa altura, o bébé babou o bibe que ficou todo molhado. Aflito, Bóbó tirou-lhe o bibe e vestiu-lhe a sua bata da escola. O bébé parecia mesmo um palhaço!
Com muita ternura, Bóbó afagou o rosto do seu irmãozinho e deu-lhe dois beijinhos na face rechonchuda. O bébé também babou a bata, mas Bóbó já não se importou. Começou a jogar à bola com o seu maninho. A certa altura, Bóbó atirou a bola ao bule que caiu ao chão e se partiu. Nesse momento, entrou a mãe que se zangou muito e se preparava para lhe bater.
- Mamã, não me batas! Eu estava a brincar com o maninho para ele não chorar! Tive azar e a bola bateu no bule - disse Bóbó.
A mãe compreendeu e sorriu para os dois meninos. Bóbó começou a brincar com o irmão às escolinhas.
- Vamos fazer o “b” de bébé, de bola e do bule que parti. É assim: faz um “l”. Agora sobe um bocadinho mais a perna no fim, deixando um buraquinho. No fim de tudo, faz um lacinho.
A mãe observava aquelas cenas, ficando encantada com os seus filhos.

J

Jibóia encantada

O João, o Joca e a Júlia foram passar férias a uma floresta de África. O João jogava Judo com a Júlia e o Joca ficava em casa a ajudar a mãe.
Um dia, da sua janela, o Joca viu uma enorme jibóia numa laje perto do jipe do pai. Ficou assustado e chamou:
- Mãe, mãe, vem cá! Uma jibóia vai entrar no jipe.
Cheio de coragem, saiu de casa e foi chamar o João e a Júlia que estavam lá foram, perto da jibóia. Mal se aproximou deles, ouviu uma voz estranha:
- Não tenhas medo! Eu sou uma princesa encantada de jibóia e apenas quero brincar.
Era a jibóia que falava. Joca ficou espantado e perguntou-lhe:
- Mas tu não fazes mal a ninguém?
- Não, já te disse. Eu só quero brincar - disse ela.
- Então, está bem. Queres jogar judo? Dá um salto inclinado para cima. Agora cai direitinha neste buraco. Dá outro salto em curva para cima para saíres do buraco. Depois estica a tua cauda... - explicou Joca.
- Isto é um belo exercício - dizia a jibóia, enquanto saltava.
- Estás a ver? Já sabes fazer o “j” de jibóia - disse o Joca, enquanto lhe dava um beijo na cabeça.
Ao sentir o beijo, o encanto desapareceu e a jibóia transformou-se numa linda princesa.

F

A fada Fifi e a foca

Naquele dia, a fada Fifi apenas queria descansar. Sentou-se à mesa e tomou um café bem quentinho junto a um lago de águas cristalinas.
Enquanto ela saboreava o seu cafezinho, uma foca brincava no lago, saltando e atirando-lhe água fresquinha. Entretanto, um homem que estava numa mesa ao lado deixou cair a ponta de um cigarro na fita da fada. A fita deitava fumo, mas a foca apagou o fogo, lançando um enorme jacto de água para terra.
- Obrigado, linda foquinha - agradeceu Fifi.
- Anda brincar comigo no lago - pediu a foca.
A fada entrou na água e arrepiou-se com o frio. A foca riu-se e afirmou:
- Vamos fazer o “f” de fada e de foca para aqueceres? Saltamos para fora da água, em arco. Damos uma pequena voltinha lá no cimo. Deixamo-nos cair direitinhas para dentro da água. depois nadamos até à superfície por outro caminho. Quando chegarmos ao cimo da água, fazemos um lacinho. Percebeste?
- Entendi perfeitamente - respondeu a fada.
E assim se entretiveram o resto do dia. À noite, foram para casa cheias de fadiga, mas muito felizes.

Q

No campo também se aprende

Naquele dia não havia aulas. O Quico, os colegas da escola e a professora resolveram fazer um piquenique no pinhal. Cada um levou o seu farnel e partiram à aventura.
Depois de fazerem uma longa caminhada, chegaram ao local desejado. Estavam cheios de fome e começaram a comer. O Quico comeu um queque e um quilo de bananas. Até um pato que nadava no lago se riu, dizendo:
- Quá... quá... quá! É o Quico comilão! Quá... quá... quá!
Entretanto, todas as meninas e meninos começaram a descobrir os segredos da Natureza.
- Olha, professora, que flores tão bonitas! E folhas de vários feitios! que lindo! Que maravilha!
Encheram sacos e mais sacos com folhas e flores para fazerem um herbário, enquanto as rolas, os pintassilgos, os rouxinóis e os cucos cantavam melodiosos trinados, parecendo uma orquestra afinadinha.
A certa altura, a professora chamou-os:
- Meninos, venham cá! Há bocadinho, o pato falou com o Quico. Por isso vamos aprender o “q” de quá... quá. Vamos lá, façam assim: desenhamos a cabecinha do pato. depois esticamos-lhe a pata para baixo, deixando-a direitinha.
Cada aluno pegou num pau e desenhou o “q” no chão.
Já era tarde e regressaram a casa com a felicidade a bailar nos seus olhos.

X

O xerife que comia xuxu

Xana foi passar férias aos Estados Unidos, o país dos xerifes. Parou numa cidade do Texas, onde as pessoas se divertiam, imitando os tempos antigos.
Xana vestiu-se de dama antiga e veio para a rua. Levava um xaile roxo pelas costas e tocava xilofone.
A certa altura apareceu um bandido que lhe ordenou:
- Mãos ao ar! Passa para cá o xaile e o xilofone para eu dar à minha namorada.
Entretanto, apareceu o xerife que prendeu o ladrão. Como estava cheio de fome, comeu muito xuxu que havia num caixote à porta de uma loja. Sentiu-se doente, mas a Xana deu-lhe xarope e ele ficou bom.
O bandido, que era gago, pediu:
- X... X... X... Xe... Xe... Xe... Xeri... Xerife, sol... solte-me, por fa... favor. Eu n... n... não queria fa... fa... fazer ma... mal à me... me... me...nina!
- Senhor xerife, solte-o, por favor! Vamos dar-lhe outro castigo. obrigamo-lo a fazer o “x” de xerife para ele nunca mais se esquecer de si - aconselhou a Xana.
O xerife concordou e a Xana começou a explicar:
- Fazes o “s” redondinho no cimo e, a seguir, colas-lhe o “c”. É fácil!
O bandido aprendeu a fazer o “x” de xerife e nunca mais se esqueceu da lição.


Z

No jardim Zoológico 

O Zeca foi ao zoo com a Zuzu e com a Zázá. O Zuzu correu logo em direcção a uma gazela muito bonita e elegante. Zeca teve uma atitude simpática: comprou uma Zínia e levou-a à Zázá.
Depois, continuaram a visita. Viram animais extraordinários: zebras, elefantes, macacos, crocodilos, papagaios, araras, jibóias... Mas Zuzu estava impaciente. Queria ver outra vez a sua nova amiga, gazela. E, sempre a correr, dirigiu-se ao lugar onde ela estava. Pediu ao guarda que o deixasse entrar para junto da sua amiga gazelinha. O guarda autorizou-o e Zuzu divertiu-se imenso. Correu, saltou, rebolou na erva. A gazela imitava--o.
A alegria e o entusiasmo eram tão grandes que até uma abelhinha parou e disse:
- Z... z... z... z! Deixem-me brincar convosco. Z... z... z...
- Está bem, linda abelhinha! Mas não nos piques - pediram os dois ao mesmo tempo.
A abelhinha voava, dava voltas e mais voltas, numa felicidade sem medida.
- Abelhinha, agora vou ensinar-te como se faz o “z” de Zoo! É assim: voa para cima, dá uma voltinha, corre um bocadinho para a direita e finge deixar-te cair. Agora sobe um pouco para a direita e volta a cair. Dá uma volta mais comprida para baixo e sobe outra vez, cruzando o caminho da última descida.
E a abelhinha dava voltas e mais voltas, sem, se cansar de fazer o “z”.

D

Dódó estraga o ditado do Dudu

A Dódó e o Dudu viviam numa bonita praia do norte de Portugal.
Uma tarde, depois de terem brincado no areal, depois de terem nadado nas águas cristalinas e azuladas do grande Oceano, depois de terem conversado com uma sereia encantadora, regressaram a casa.
A Dódó pegou nos dados e começou a jogar sozinha porque a Dudu tinha que fazer o ditado que a mãe lhe ditava. Cansada de brincar sozinha, a Dódó atirou um dado ao Dudu, acertando em cheio no seu dedo. O ditado ficou estragado, com um grande risco. Zangada, a mãe ordenou à menina:
- Vai já fazer mil “d d ” de dado e de dedo. E tudo muito bem feitinho.
- desculpe, mãe, isto não volta a acontecer. eu não sei fazer o “d” - afirmou Dódó.
- Eu ensino-te: uma bolinha redondinha em baixo, uma fita gigante para cima, outra fita agarradinha para baixo e, cá em baixo, arrastas a fitinha pelo chão - explicou o irmão.
A Dódó fez vinte “d d ” muito lindos e a mãe perdoou-lhe tudo.

H

Uma freira aflita

A Helena e o Hugo andavam a passear no campo. A certa altura, apareceu uma freirinha que lhes pediu:
- Meninos, ajudem-me! Um homem mau tirou-me o hábito e atirou-o ao lago. Eu não posso ir buscá-la porque tenho medo do hipopótamo que lá vive.
- Não chores mais, irmã! Nós ajudamo-la.
Os dois meninos dirigiram-se ao lago e a Helena viu o hábito iluminado pelo holofote. O Hugo lançou-se à água, nadou vigorosamente, lutou com o hipopótamo e trouxe o hábito à freirinha.
- Obrigada! São muito corajosos - afirmou a freira.
- Irmã, ajude-me a tirar uma dúvida. Qual é a primeira letra da palavra “hábito”! - perguntou o Hugo.
- É o “h” - respondeu a freira.
- É o “h”?! Mas, na palavra “hábito”, essa letra não se lê - replicou o Hugo.
- Pois não! E também não se lê noutras palavras: holofote, hipopótamo, homem, hino, homenagem... - acrescentou a freira.
- Pode ensinar-nos a fazer essa letra? - pediu a Helena.
- Claro que sim! - afirmou a freira.
Sentaram-se debaixo duma árvore e a freirinha explicou:
- Fazes um “l” e, cá em baixo desenhas uma ondinha.
Os dois meninos aprenderam a fazer o “h” e, muito contentes, despediram-se e seguiram o seu caminho.






Recados de Fofas

quinta-feira, 17 de março de 2011

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Hoje vou falar um pouco sobre Alfabetização, mais especificamente sobre Leitura, tenho uma turminha de 1º ano e gosto muito de trabalhar textos diversos com eles, além da Hora do Conto, ou da rodinha inicial, onde geralmente é o horário em que leio as histórias, gosto muito de trabalhar com parlendas, poemas ou músicas infantis no quadro. Vale a pena, é divertido, eles ficam empolgados pois acreditam que estão lendo de verdade e com o trabalho que é feito com o texto, se a atividade for frequente, logo começo a ver o resultado.


A revista Nova Escola junho/julho/2008 O QUE E COMO ENSINAR, traz um artigo muito bom para nós alfabetizadoras, situações didáticas de todas as áreas de ensino, do 1º ao 5º ano. Selecionei para postar no blog, uma da área de Língua Portuguesa, Leitura para o 1º e 2º ano, mas que também pode ser adaptada para a Educação Infantil, já trabalhei com meus alunos da Educação Infantil com está sequência didática, e o resultado foi muito satisfatório.



Sequência Didática : Prática de Leitura .


Objetivos:

Refletir sobre o funcionamento do sistema alfabético de escrita.
Acionar estratégias de leitura que permitam descobrir o que está escrito e onde (seleção, antecipação e verificação).
Estabelecer correspondência entre a pauta sonora e a escrita do texto.
Usar o conhecimento sobre o valor sonoro da letras (quando já sabido) ou trabalhar em parceria com quem faz uso do valor sonoro convencional (quando ainda não sabido).
Conteúdo:

Leitura na alfabetização inicial.
Anos: 1º e 2º .


Tempo Estimado:

Uma aula de 30 minutos em dias alternados aos de atividades de escritas, durante todo o ano.
Material Necessário:

Textos poéticos (parlendas, poemas, quadrinhas e canções).
Desenvolvimento:

1ªetapa - Selecionar parlendas, poemas, quadrinhas e canções que considere interessantes. distribua uma cópia para cada estudante e leia com a classe. Para que os leitores não-convencionais participem da atividade, garanta que saibam o texto de cor.
2ªetapa - Informe onde se inicie o texto e proponha que todos leiam juntos, acompanhando o que está escrito com o dedo enquanto cantam ou recitam. O desafio será ajustar o falado ao escrito.
3ªetapa - Peça que procurem algumas palavras e socializem com o grupo as pistas usadas para encontrá-las. Faça com que justifiquem as escolhas e expliquem o procedimento para descobrir o que estava escrito. Nessas atividades são utilizados textos que já se sabe de cor para antecipar o que está escrito e letras e partes de palavras conhecidas para verificar escolhas.
4ªetapa - Uma variação da atividade é entregar as poesias recortadas em versos ou em palavras e pedir que sejam ordenadas. Para dar conta da tarefa, a garotada terá de acionar os conhecimentos que possui sobre o texto, os procedimentos de leitura já adquiridos e utilizar pistas gráficas (letras iniciais, finais etc.).
Avaliação:

Registre suas observações sobre a participação dos pequenos: quais foram as pistas utilizadas e como eles justificaram escolhas. Anote também quais foram as suas intervenções mais importantes para a orientação da turma. Essas observações são fundamentais para o planejamento das atividades que virão a seguir.
Consultoria: Beatriz Gouveia, coordenadora do Programa Além das Letras, do Instituto Avisa Lá, e assessora em Educação, de São Paulo.


Leitura para a classe ( na alfabetização inicial):

O que é? A turma forma uma roda, e o professor lê em voz alta textos literários, jornalísticos, regras de jogos etc. Os gêneros devem variar para que o repertório se amplie. Além de contos de fadas, valem notícias que tratem de algum assunto de interesse de crianças. Também é imprescindível garantir a qualidade do material à disposição da meninada.
Quando propor: Diariamente.
O que a criança aprende: Os usos e as funções da escrita, as características que distinguem os gêneros e as diferenças entre o oral e o escrito. Ela se familiariza com a linguagem e os elementos dos livros ( que contam histórias), dos jornais ( que trazem notícias) e dos textos instrucionais (que incluem regras de jogos ou receitas culinárias).
Leitura para a classe (na continuidade):
O que é? Leitura de livros literários mais longos (podem ser selecionados capítulos inteiros, por exemplo) e textos informativos mais complexos. O objetivo é que a turma construa uma compreensão coletiva de cada obra.
Quando propor: Diariamente.
O que a criança aprende: Características de textos mais difíceis e de diferentes gêneros.
Leitura para aprender a ler (na alfabetização inicial):
O que é: A tentativa de ler listas ou textos conhecidos de memória (poemas, canções, e trava-línguas). Sabendo o que está escrito (nome de frutas, por exemplo), e possível antecipar o que pode estar escrito e confirmar por meio do conhecimento das letras iniciais e finais, entre outras formas.
Quando propor: Em dias alternados aos dias de atividades de escrita.
O que a criança aprende: O funcionamento do sistema de escrita. Além disso, ela compreende como acionar as primeira estratégias de leitura.


Leitura para aprender a ler (na continuidade):
O que é: O crescimento da autonomia. O estudante pode entrar em contato com diferentes gêneros para saber quando e como usá-los e, assim, aprender a buscar informações e a ler para estudar.
Quando propor: Em dias alternado aos de atividades de escrita.
O que a criança aprende: A compreender textos mais desafiadores. Durante a leitura, ela pode localizar e selecionar informações apoiando-se em títulos ou imagens e apontando o que é interessante.
Revista Nova Escola: Junho/Julho-2008 - Capa - O que e Como ensinar, Língua Portuguesa - Mais do que Letras, www.revistaescola.com.br

Sugestões de leitura sobre Alfabetização:
Guia Prático do Alfabetizador - Marlene Carvalho - Editora Ática.
Construindo A Leitura e a Escrita - Reflexões sobre uma prática alternativa em alfabetização. Maria Alice S. Souza e Silva; Editora Ática

fonte: http://brincandocomcores.blogspot.com

quinta-feira, 10 de março de 2011

Lendas e Fábulas - Revista Nova Escola

Viola no saco


Ilustração: Rogério Borges
Ilustração: Rogério Borges
Vocês sabem por que quando alguém perde uma discussão, ou coisa assim, e tem de se calar, se diz que “fulano meteu a viola no saco”? Pois eu vou contar.

Há muito tempo, quando os bichos falavam e muitas coisas eram diferentes, havia muita festança no mundo. Um dia houve uma festa no céu e todos os bichos foram convidados. Entre eles, um dos mais esperados era o Urubu, porque as danças dependiam das músicas que ele tocava na viola.

No dia da festa, o Urubu enfiou sua viola no saco e, antes de iniciar a viagem, foi beber água na lagoa. Lá encontrou o Sapo Cururu, que se secava ao sol. Enquanto o Urubu bebia, o espertalhão do Cururu, que também queria ir à festa, se escondeu dentro da viola para viajar de carona.

Quando o Urubu chegou ao céu, foi muito bem recebido, pois todos esperavam por ele para começar a dançar o cateretê e a quadrilha. Mas antes o chamaram para beber umas e outras.

O Urubu foi, deixando a viola encostada num canto. O Cururu aproveitou para pular da viola sem ser visto e foi se empanturrar com os quitutes da festa. O Urubu também comeu e bebeu até não poder mais e não viu que o Cururu, aproveitando uma distração sua, se escondera de novo dentro da viola para tornar a tirar uma carona na volta para a terra.

Quando chegou a hora de voltar, o Urubu guardou a viola no saco e saiu voando de volta para casa. Durante o vôo, estranhou que a viola estivesse tão pesada. “Na vinda foi fácil, mas na volta está difícil. Será que fiquei fraco de tanto comer e beber?”, pensou ele. Por via das dúvidas, examinou o saco com a viola e acabou descobrindo o malandro do Sapo Cururu agachado lá dentro. Furioso por ser usado desse jeito, o Urubu começou a sacudir o saco com a viola, para despejar o Cururu lá do alto e se ver livre dele.

O Cururu, com medo de se esborrachar no chão pedregoso lá em baixo, recorreu à sua proverbial esperteza e começou a gritar: “Urubu, Urubu, me jogue sobre uma pedra, não me jogue na água, que eu morro afogado!”.

O Urubu, tolo, querendo se vingar do Sapo, viu lá de cima uma lagoa e tratou logo de despejar o Sapo dentro d’água, que era pra ele se afogar. O espertalhão do Cururu, que só queria era isso mesmo, saiu nadando, feliz da vida. O bobão do Urubu só não ficou “a ver navios” porque não havia navios naquela lagoa. E é por isso que, quando alguém perde a partida e tem de sair quieto e calado, dizem que “fulano teve de meter a viola no saco”...
Fábula recontada por Tatiana Belinky, ilustrada por Rogério Borges

O alfabeto não pode faltar

Ferramenta indispensável nas salas de séries iniciais, o alfabeto ajuda as crianças a tirar dúvidas sobre a grafia das letras com autonomia


Foto: Gilvan Barreto
É ASSIM QUE SE FAZ Na EM Atenas, a turma consulta o alfabeto na parede para conferir a grafia correta das letras. Foto: Gilvan Barreto
Pendurado na parede desde o primeiro dia de aula, ele ocupa uma posição central na classe - de preferência, acima do quadro, no campo de visão de todos os alunos. Material de apoio precioso para um ambiente alfabetizador na Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental, é a ele que os pequenos recorrem quando querem encontrar uma letra e saber como grafá-la. Se sabem que "gato" se escreve com G, mas esqueceram o jeitão dele, é só caminhar pela sequência de letras até encontrá-lo. Se na hora de escrever "mar" bater a dúvida de quantas perninhas tem o M, a resposta também está lá. O alfabeto da classe é um companheiro permanente para quem ensaia os primeiros passos no universo da escrita.

Para que o alfabeto realmente ajude na compreensão do funcionamento da escrita, é preciso saber usá-lo. Isoladamente, ele não é nada além de uma lista de letras. Apenas mandar a garotada ler a sequência de A a Z não faz ninguém avançar na alfabetização. "Memorizar a ordem das letras é importante, mas esse saber deve ser acionado pelas crianças durante atividades de reflexão sobre a escrita", afirma Clélia Cortez, formadora do Instituto Avisa Lá, em São Paulo.Não espanta o consenso de que um alfabeto, organizado em cartazes ou painéis de tamanho razoável, deve estar presente em toda - sim, em toda - sala de alfabetização inicial. Afinal, ele é um precioso instrumento de consulta para as situações de escrita, uma das quatro situações didáticas mais importantes nesse processo (as outras três são a leitura pelo professor, a leitura pelo aluno e a produção oral com destino escrito, quando o professor atua como escriba). Se você leciona para pré-escola, 1º ou 2º ano, precisa dominar essas práticas.

Responder aos dois principais problemas da alfabetização 

Foto: Gilvan Barreto
SABER NECESSÁRIO Agendas telefônicas mostram a importância da ordem alfabética numa situação real. Foto: Gilvan Barreto
Uma oportunidade de fazer isso é trabalhar com a construção de agendas telefônicas (leia o projeto didático). Nessa tarefa, a utilidade da ordem das letras fica clara: ela serve para tornar a busca de nomes mais rápida e precisa. A proposta foi adotada pela professora Janine Caldeira Veiga, da EM Atenas, no Rio de Janeiro. No caso de Janine, a confecção das agendas fez parte de um projeto amplo, que teve o alfabeto como aliado em todas as etapas. "Ele ajudou a turma do 2º ano a conferir a grafia e a pronunciar o nome das letras ou como apoio à memória para saber qual a posição de uma delas na sequência", diz.

De fato, o instrumento é útil durante todo o início da alfabetização, ajudando a responder aos dois principais problemas de quem está entrando no processo. O primeiro - o que, exatamente, a escrita representa? - mobiliza sobretudo as crianças na fase pré-silábica, em que elas ainda não entendem que a escrita é uma representação da fala. Nessa fase, enfatizar a diferença entre desenhar e escrever é fundamental. Você pode usar o alfabeto para apresentar as letras que compõem a escrita, colaborando para distingui-las dos números e de outros símbolos.

O segundo desafio - como se organiza a escrita? - pode ser enfrentado quando alguma palavra apresentar falta de letras. Por exemplo, se um aluno escreve "AO" para representar "pato", provoque uma reflexão e questione:

- Me indique no alfabeto com que letra começa "pato".

- Está ali. É o P, de Paula.

- Isso mesmo. Agora olhe o que você escreveu: "AO". Onde a gente pode colocar o P na sua escrita?

Outra dúvida comum diz respeito à grafia das letras. A forma do G é uma das mais problemáticas. Para desenvolver a autonomia, incentive a criança a procurar a letra pela recitação do alfabeto.


O alfabeto deve ter letras de imprensa, sem decorações 

Foto: Gilvan Barreto
PASSOS SEGUINTES Alfabetos mais sofisticados, com letras de imprensa e cursivas, aprimoram a escrita. Foto: Gilvan Barreto
Atenção, porém, antes de produzir o alfabeto da classe. Ainda são muito comuns os modelos que trazem as letras de A a Z decoradas, com figuras cuja inicial é a letra em questão. Assim, o B, por exemplo, vem adornado por uma asa de borboleta, com um contorno que se mistura ao da letra. Não é o ideal, pois a associação com desenhos confunde a criança. "Nessa fase inicial de aprendizado, ela imita a escrita e ainda não consegue determinar com clareza o que é central e o que é periférico, o que realmente faz parte da letra e o que é somente um enfeite. Por isso, qualquer elemento supérfluo acaba sendo reproduzido", argumenta Regina Scarpa, coordenadora pedagógica de NOVA ESCOLA. O melhor é que o alfabeto seja composto de letras de imprensa maiúsculas, de contornos mais limpos e claramente identificáveis quando reunidos em palavras.

Depois que os pequenos já entenderam o que a escrita representa e como ela se organiza, aí, sim, você deve mostrar outros tipos de letra, como a de imprensa minúscula (o que vai ampliar a compreensão de livros, jornais, revistas e outros materiais impressos) e a cursiva maiúscula e minúscula (facilitando o contato com notas e bilhetes manuscritos e produções escolares). Novamente, essa etapa também pode se beneficiar da colaboração de um alfabeto pendurado na parede - dessa vez, um modelo um pouco mais sofisticado, com a letra maiúscula em destaque e os outros quatro tipos correspondentes logo abaixo.


http://revistaescola.abril.com.br

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